> Elisa entre gotas de poesia: Mesa de bar

Mesa de bar





Uma noite fria
Chuvosa
Escura
Nua sem estrelas
Um lugar de pouca gente
De insanos, malucos e crentes
Um bar
À meia luz
Ele olha para ela
E a seduz
Com dois goles de uísque
Ela ri duas vezes
Antes que ele pisque
Não fala nada
E acha que ele
Tem um ar debochado
Só faz piada
Ele ascende um cigarro
E ela
Até finge que olha para o lado
Ele precisa beber algo...
Álcool?
Para esquecer seu matrimônio
Ela já nem sabia
O que procurava
De seu sonho
Tinha esquecido
Mal lembrava...


Lá estava ela
Ali sentada
Fingindo que tomava
Um gole d' água
Entre luzes acesas
E meio apagadas
Entre algumas conversas cruzadas
E poucas risadas
Ele cada vez
Mais perplexo
Ela não falava nada com nada
Não fazia sentido
Não havia nexo
Ele tentava decifrar
Suas bochechas coradas
E talvez
O desenho
De suas sobrancelhas pintadas
Tão complexo
Ele pensou em amor
Ela em sexo
E isso o seduzia
Algum encanto ela tinha
Muito magra
Quase se tremia
Com sua bebida na mão
Ele chegou próximo
Meio bêbado
Meio tóxico
Tentando simular uma situação
Ela riu
Quando seu copo
Quebrou e caiu
Em cacos de vidro
No chão
Sedução para os ouvidos dele
De uma guitarra
Sem acordes
Como pode?
Se ele nunca a viu?
E o garçom?
Desapareceu
Sumiu
Uma música ao fundo
Um jazz
De um cantor
Músico vagabundo
Ela meio doida
Quase abriu o sutiã
Para fazer um top less
Ele já quase sonolento
Pediu outra bebida
De limão com coentro
Para passar a noite
Para driblar o tempo
E foi numa mesa de bar
Entre pingos
Embaçados na janela
Que ele
Olhou para ela
E pediu seu telefone
Talvez ele fosse
Apenas mais um homem
Boêmio
Não tão jovem
Nem tão sênior
Cantando para uma mulher
De trinta e poucos anos
Sozinha
Que apenas ria
E fingia que bebia
Alguma coisa...
Ele nem sabia quem era...
Uma musa inspiradora?
Quem pudera...




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