> Elisa entre gotas de poesia: Sentada embaixo de uma árvore

Sentada embaixo de uma árvore



Sentada embaixo de uma árvore
Eu leio o mundo
Eu vejo absurdos
E mordo um pedaço de maçã
Como chocolates com avelã
E tento decifrar alguns códigos
Em meus pensamentos
Até penso que sou sã
Por um breve momento
Uma cidadã qualquer
Que sonha com personagens
Lê textos
Lê gestos
Lê mensagens
Toma um café
Meio aguado, meio preto
Adocicado
 E finge que sabe fumar
Um cigarro...
Na rua ao lado
Passou um carro
Um ambulante me oferece um cravo
E eu continuo ali,
Sentada
Embaixo de uma árvore
Quase sem folhas
De um Outono
Que ainda nem passou...                  




Leio as entrelinhas da vida
E rabisco meu diário
Com lápis de cor
Minto meu nome
Digo que me chamo Brida
Penso em escrever um romance
Uma história de amor
Bem ali,
Sentada embaixo de uma árvore
Onde as minhas costas
Estão escoradas
E os meus joelhos dobrados
Apenas com um marca texto na mão
Leio uma história de ficção
E não sei muito bem
Para aonde eu penso em ir
Continuo a colorir meu diário
Que um dia eu já perdi
Para o bloco de notas do celular
Que azar!
Tento até encontrar
Conexões
Mas todo mundo
Apenas pensa em falar em política...
Notas de rodapé
Sou tão mística
Mítica
Crítica
Sol batendo no rosto
Fecho os olhos
Tento desviar o olhar
O vento faz soprar
Alguns rabiscos já esquecidos
Penso em fazer uma tatuagem
Colocar um piercing no umbigo?
Talvez apenas faça cócegas
Risos
Deve ser divertido
Não sei se eu pretendo casar
Encontrar um marido
Talvez um dia
Namorar escondido
Ou sei lá
Algo parecido!
Dou outra mordida na maçã
O sol vai se despedindo
E a lua já acha que é de manhã
Penso em tomar um cappuccino
Comer um croissant
E continuar lendo e escrevendo
Livros
Embaixo de uma árvore
Sem passarinhos
Com algumas formigas
E por acaso
Uma joaninha perdida
Que resolveu pousar
Entre as pontas dos meus dedos
E ser minha vizinha
Confidente
Dessas lentes embaçadas
De pingos de chuva que ainda
Nem resolveram cair do céu!
Eu e os livros?
Não temos segredos
Não gosto de margarina
Nem de mel no pão
Histórias de terror?
Assustam
Não dão medo
Meu deus!?
O que descobriu José Pedro?
Talvez alguma poesia
Que nem sequer fora escrita
Ainda por sua tia...
Um casal
Uma moça bonita
Uma criança brincando
Com um laço de fita
Sem cor
As nuvens passam
E eu ainda estou por sentir
O sabor da maçã
Cochilo e cochicho comigo mesma
E abro os olhos
Sem ainda entender
Quase nada
Entre galhos, folhas e
Algumas flores despenteadas
Amarro meus tênis
Estou calçada de ideias e fábulas
Um desconhecido
Me oferece uma almofada
Mas não estou estudando
Nenhum conteúdo importante
Apenas lendo um livro
Entre algumas anotações intrigantes
Sentada embaixo de uma árvore...
Voou
Apenas mais uma folha seca

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