> Elisa entre gotas de poesia: Tricotando com a morte

Tricotando com a morte




Eu já encarei a morte
Tive medo
Tive sorte
Consorte
Pois ela olhou pra mim e sumiu
E até se fingiu
De desentendida
Talvez
Ainda não estivesse na minha hora
A morte fugiu
E foi embora
E agora?
Preciso cantar
Falar para a minha nora
..."Só nos últimos cinco meses
 Eu já morri umas quatro vezes 
 Ainda me restam três vidas pra gastar"...
Já cantava a cantora Pitty
Ai meu Deus do céu!
O que foi?
Será que eu vou morrer de sinusite?
Ou de gripe A?
Se assim você desejar...
Ou será H1N1?
Desse jeito
Eu não vou a lugar algum!
Será que a morte
Bebe licor ou meia taça de rum
Após o almoço?


E quantas vezes já se
Morreu de desgosto?
Ou de amor?
Ainda mais quando chega
O dia dos namorados
Flor ou chocolate?
Já dizia o encarte
O epitáfio em minha cova!
E, cadê minha sogra?
Eu já morri mais de um milhão de vezes
Contando placas
Procurando fregueses
Tentando entender a língua
Apaixonada dos franceses
Tentando achar
O verdadeiro culpado!
Mas a senhora morte
Não tem culpa
Da sua solteirice!
Quem disse?
Berenice?
Morrer deve ser a maior chatice...
E quem sou eu para falar
Da morte
Eita esquisitice!
E a senhora morte
Gostou do meu novo corte
De cabelo?
Acho que vou morrer
Quebrar o espelho
Com essa cara de mal dormida
Será que a morte
Costuma conversar com a vida?
Em seu túmulo:
Dizeres ou margaridas?
Hoje pela manhã
Parece que morreu a tia Cida!
Morreu de quê?
De amor ou de bebida?
Parece que foi de enxaqueca
Antes que eu me esqueça
Falta cabelos na minha cabeça!
A morte está apaixonada?
Por quem?
Por nada...
Ela só está de folga
Um dia ela volta
Para buscar
A dona Olga!





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