> Elisa entre gotas de poesia: Moleque de rua

Moleque de rua






Chega de violência
Essa demência descontrolada
É preciso ter paciência
Para andar nas ruas
E não ser assaltado
De noite
De manhã
E de madrugada
Movimento
Briga de carros
Atropelamentos
Avenidas sujas
Com tocos de cigarros
Ninguém aguenta mais
Essa balbúrdia
Essa tumultuação
Bandido que é bandido
Deveria cumprir pena
Dentro da prisão!



Ninguém tem mais respeito
Nem dignidade
É preciso plantar paz
Em nossa sociedade
É tanta a inflação
Que falta pão na mesa
Se violência gera violência
Gentileza gera gentileza
Me dá uma gorjeta?
Uma esmola?
Pede a sobremesa
Beleza
Eu ainda sei jogar bola
É preciso mais escola
Eu quero estudar
Aprender uma língua nova
Para poder trabalhar
E quem sabe um dia
Poder viajar
Ir para o exterior
Bater as asas
Feito um passarinho
Bater as asas
Feito um beija-flor
Cada um segue o seu caminho
Eu sou pirata
Eu sou só um sonhador
Talvez eu pudesse ser um
Campeão olímpico
Ou talvez um velejador
Sair dessa cidade grande
Ir morar na praia, no interior
Para me salvar dessa gandaia
Apenas o Cristo, o redentor
De braços abertos para o céu
Aqui nessa comunidade
Ou se é bandindo
Ou se é réu
Se um dia eu conseguir
Fugir
Daqui dessa guerra
De milícias
Por favor
Chama a polícia
Que ali tem ladrão
Desmontando um corcel Gt
Quanta injustiça
Que aparece na Tv
Prende essa quadrilha
Que se esconde atrás do sol
Quero mais cultura
No país do futebol
Teatro, música e grafite
Educação com arte
Faz parte
Menos opinião
Menos palpite
Mais ação
Mais esporte
Menos celulite
Criatividade
Nessa favela
Onde reina
A criminalidade
Talvez eu tenha sorte
Talvez eu sinta saudades
Se eu não morrer muito jovem
Eu chego na terceira idade
Dançando um forró
Cantando um bolero
Com o som desse tiroteio
Não se ouve mais
Nem o canto do Quero-quero
Rua sem saída
Cuidado
Com tanta bala perdida
Se eu for um garoto de sorte
Eu ganho a vida
E engano a morte













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