> Elisa entre gotas de poesia: O Menino que soltava balões

O Menino que soltava balões


Era uma vez...
       Um menino que soltava balões em sua rua! Todos os dias, esse mesmo menino comprava balões, os enchia e os soltava, lá num cantinho qualquer, perto da sua casa! O menino soltava balões, porque queria conhecer o céu, voar por aí, e ver o mundo lá de cima. Mas como ele não podia voar, ele soltava os seus balões coloridos, de todas as cores: tinha azul, rosa, vermelho, amarelo, verde... Era um arco-íris de balões! O menino acordava cedo, antes do raiar do sol, e soltava os seus balões! À noite, mais à tardinha, ele soltava mais balões...Assim, ele achava que iria conhecer todo o céu, até mesmo a lua, o sol, e outros planetas! Os seus balões coloridos indicariam o caminho e mostrariam o percurso da vida! Pois é, o menino achava que um dia os seus balões voltariam e falariam com ele! E cada balão contaria o lugar que visitou....Talvez Paris, Rio de Janeiro, ou uma cidadezinha do interior..., esse menino era sonhador! Ele sonhava com as coisas e soltava balões! Eles eram como suas asas, sua imaginações e flutuações!


        O menino, do qual eu não sei o nome, era meio franzino, mas muito conhecido em sua rua, justamente por soltar balões coloridos no céu. Enquanto outros meninos andavam de bicicleta, ou soltavam pipas giratórias, ele soltava balões. Por quê? Ora, porque os balões voam mais alto de certo! Esse menino não era bobo, era muito esperto! Queria voar por aí, sair da rotina e conhecer a vida, uma vida desconhecida do universo! Sabe,ele economizava seus centavos para comprar os balões da loja do seu Zé, aqui do lado da quitanda, onde uma senhora berrava e vendia frutas! Foi lá, naquele pequeno bazar que o menino começou a despertar o seu desejo de voar! E ele voava longe, tão longe que um dia...
           Um dia, ele teve uma ideia fantástica! Eu sabia que esse menino era inteligente, apesar de parecer meio maluquinho, avoado, soltando balões o tempo inteiro! Parecia até que ele nem comia, nem dormia, pois só queria soltar os seus balões. Um dia, eu o avistei da minha janela, e achei estranho que o tal guri não segurava apenas um balão, mas uma porção deles. Eu nunca tinha visto tantos balões em minha vida, eram muitas cores! Eu pensei que o tal menino ia soltar um balão por vez, e então uma chuva de balões surgiria no céu. Não haveria mais espaço para as estrelas brilharem, pois a imensidão de balões iria colorir tudo! Não é que do nada, o menino voou? E voou bonito, voou longe, segurando todos os seus balões! Quando eu vi, ele subindo, eu quase gritei: 
             - Desce daí menino, tu vais é cair!
            Mas o guri não me ouviu! Ele subiu entre as nuvens e balões!Ele foi embora, viajar... Ele desapareceu! Esse era o sonho dele, desaparecer! Sumir do mapa entre tantos balões coloridos! Agora, o menino foi para algum lugar, um lugar apenas onde os balões sabem, apenas onde os balões sobem, apenas onde os balões voam! E o menino? Ah, ele sabe voar também! 
                   Mas aonde será que esse menino está? Quando ele voou, ele voou tão alto que eu até fiquei curioso, muito curioso! Um bom tempo se passou, e eu, um velho padeiro, que admirava aquele pequeno menino o dia inteiro, fiquei sem notícias, sem seu paradeiro! Agora, eu apenas olhava para as estrelas do céu, ou para algum cometa, um menino que passasse com seus balões me dando tchau! Foi depois de muitos anos, numa tarde, num feriado de Carnaval, que eu recebi uma carta, uns escritos de um menino que soltava balões! Sim, era ele, meu neto! Ele voou para tão longe, com suas asas de sonhador, que hoje, ele voa, voa mesmo,como um tenente aviador!








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