> Elisa entre gotas de poesia: O amor não tem preço

O amor não tem preço






       Certo dia eu me deparei com uma senhorinha falando de amor...Ela parecia estar entre os seus oitenta e poucos anos..., mas eu não sei se ela estava falando de amor, o sentimento propriamente dito, ou de uma relação de gênero e sexualidade. Pois bem, estamos no século XXI, era da contemporaneidade, do tablet, tempo das redes sociais, das câmeras, dos cliques virtuais, das fotos e de tudo mais.  Entre tantas tecnologias, algo me chamou a atenção, quando essa senhorinha  discursava sobre esse tal de amor. Segundo ela, um rapaz, um jovem de aproximadamente vinte e poucos anos, não teria nada a oferecer a uma possível paixão platônica. Sendo que, essa paixão já não seria mais tão platônica assim, pois parecia que a relação já teria sido consumada e rompida há algum tempo.



O fato é que esse moço ainda apaixonado não teria nada a oferecer porque estaria desempregado. Tal argumento me fez coçar as orelhas. Quer dizer então, que somente o homem deveria trabalhar para sustentar os caprichos de uma mulher? Sim, dizia aquela senhora que não parava de tagarelar. Na opinião dela, nenhuma mulher iria se interessar por um "guri" que não tivesse nada a oferecer. Mas, oferecer o quê? Dinheiro, casa, comida, roupa lavada? Ou simplesmente, amor? Penso, que na era digital, o inverso já tornou-se verdadeiro. Primeiro, que sem amor, nem com um milhão de dólares a relação poderia durar, ser sustentada, pois nenhum conto de fadas sobrevive sem um romance.  E outra sugestão: quem disse que apenas esse tal rapaz deveria trabalhar? Ora, foi a senhorinha, mas mal sabia ela, que hoje têm muitas mulheres sustentando  marmanjos por aí, e como eu disse anteriormente, isso em tempos contemporâneos deveria ser considerado muito trivial, não é? Talvez no tempo dessa senhorinha, as mulheres ainda devessem estar submetidas aos privilégios concedidos aos homens, e assim se sujeitavam ao rótulo de aeromoças do fogão! Não, agora é outra situação! Tem muito homem por aí limpando fralda e até se vestindo de pin up, limpando a casa e encerando o chão. E por que não dizer, cuidando do lar? Nada disso deveria ser vergonhoso ou constrangedor, apenas são os novos tempos que estão chegando e alterando as relações, os sentimentos e o amor! E se o tal rapaz de vinte e poucos anos não tivesse mesmo nada a oferecer? Será que esta mulher que se faz tão apaixonante, seja ela, rolo, namoro, ou ficante, também não deveria fazer por si só? E o amor, aonde fica? Escondido e esquecido atrás das palavras desta senhorinha? Parece que os tempos mudaram, mas a cabeça de muita gente ainda continua igual, tocando aquela velha marchinha de carnaval! E essa diferença de gêneros continua pipocando por aí e ainda se misturando entre relações de amor. E o amor tem preço? Ou apenas muda de endereço? Como eu queria ter conversado com aquela senhorinha, que falava de amor e trabalho com tanto entusiasmo com outra senhorinha. Mas ela atravessou a rua e sumiu! Mesmo sem aquela conversa de duas cabecinhas brancas, grisalhas, o assunto parecia ter ficado no ar e eu continuara pensando no tal rapaz...Talvez, ele até gostasse de receber flores,e por que não? Eu conheço tantos tenores que amam receber rosas, e são sustentados por incríveis sopranos! E se ele não tivesse mesmo nada a oferecer a ela, eu  lhe diria: viva o amor nu e cru! Afinal, quem precisa de dinheiro quando se está feliz? Feliz de um amor, de uma paixão, mesmo  não correspondida! Cada um vive a sua história, a sua vida como deseja e como quer, não importa se a pessoa amada é gay, lésbica, homem, simpatizante, pobre, rico ou mulher. Pois é, senhorinha, mas no teu tempo não era assim, seria isso que ela responderia pra mim!




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