> Elisa entre gotas de poesia: Estressada

Estressada








Eu estava meio estressada,
Meio que endoidando por aí...
Pois é, dona guria, quem mandou
Fazer tanta coisa junta, misturada e
Ao mesmo tempo?
Saturada?
É quindim, é pastel, é boneca...
Até panqueca doce
Tu inventaste a fazer,
E depois mulher, não quer pirar?
Enlouquecer?
Estuda, trabalha, namora, e limpa
A casa todo o dia,
Para um pouquinho, chama a
Mordomia!



Assim a madame vai ficar estressada,
De cabeça rachada e pés inchados!
Coitados, sabe que dia é hoje?
Dia de dormir, de pegar no sono
E de sonhar que você está em uma praia
Deserta pegando sol e tomando sorvete,
Pode ser
Um daqueles de morango e bem gelado!
Mas a menina deve estar meio louca mesmo,
Como se diz? Parafuso solto?
E tem sorvete no deserto?
Deserto? Pensei ter ouvido falar em praia!
De certo não, mas o estresse faz a gente
Imaginar que sim!
Então diz pra mim, me olha:
Eu estou com cara de doente?
Ou tem alguma serpente atrás de mim
Me rondando?
Ah vai deitar, vai descansar na rede
E vê se para de ver coisas,
Ô mundo doido!
E a morena que continua varrendo o pátio
E beijando o chão com os seus cabelos
Da cor da noite?
Não cansa de trabalhar?
Olha que os gritos das crianças
Vão te acordar...
Não dá nada não,
Mulher macho por mulher macho
Acorda cedo com a aurora feito
Um peão de estância!
Quanta abundância, quanta vontade
De trabalhar até o sol raiar,
Ou até aquela dor nas costas acabar ou
Aumentar!
Quanto estresse vizinha, vê se descansa, vê
Se relaxa, o que não mata passa,
E para de me olhar com esses olhos
Esbugalhados de cansaço!
Sei tá calor, tá um mormaço
Vem cá que eu te dou uma mão, ou
Um braço, até um abraço,
Deita e dorme, que o estresse não é
Palhaço!
Vida corriqueira...
Sou uma mãe em apuros,
Ou uma dona de casa
Desesperada?
Puxo os cabelos, mordo
As unhas, os dedos, grito,
Peço socorro, morro
E continuo a viver
Assim,
Como?
Estressada...
Médicos me receitam chás,
Vitaminas, calmantes,
Amantes, viagens para
A Europa, Estados Unidos,
Mas para onde eu vou
Esse estresse vai comigo,
Parece um amigo de
Infância que não quer
Crescer e fazer sua vida,
Chega já!
Me dá aquele remédio, ou suco
De maracujá, eu preciso
Dormir, eu preciso sonhar...
Estresse, apaga a luz!

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