> Elisa entre gotas de poesia: E o velho brigadeiro de panela continua o mesmo

E o velho brigadeiro de panela continua o mesmo

Certo dia, eu abria a janela e a minha mãe gritava:
- Olha o brigadeiro de panela!
Como era bom, eu lambuzava os beiços e comia cada raspinha...
Mas daí, veio a tal da tecnologia e trouxe o microondas, o tablet, o computador, e tudo de repente se modernizou. Ou melhorou? 
Na minha infância tinha o vídeo cassete. Depois vieram o discman e o disquete, mas esses dois ficaram lá pra trás com a chegada da famosa pen drive! Agora tudo é assim, geração 3D. Antigamente, não tinha nada pra comer..., hoje, em apenas um click, eu peço uma pizza online. E essa tal de tecnologia muda tudo, muda até os sonhos de um adolescente! Se nos anos 80 e 90 eu sonhava em ter um telefone sem fio, hoje é tudo virtual, até o teclado está fora de moda. Sim, teclar com os dedinhos já era, esquece...E eu..., que reclamava que os meus pais não eram digitais...Socorro!!! Por favor, alguém aí me empresta um mouse? 
E o velho brigadeiro de panela era tão bom e continua o mesmo! Têm coisas que a modernidade não muda. As mulheres continuam andando de vestido e os homens de bermuda! Mas, há controvérsias! E a pipoca? E o bolo assado no forno? Ainda carregam aquele gosto e sabor de um Domingo à tarde. Mas, você, que tem uns 30 anos, ou já é "trentanni" como diz a romântica língua italiana, sabe o que significa um carrinho de lomba, brincar na rua, rebobinar e assoprar fitas de videogame. Nessa época, nem imaginávamos que um dia chegaria esse tempo em 3D, 3G, 4G, pois a gente só pensava em brincar, dormir, comer e ver TV. É claro, comer o delicioso e velho brigadeiro de panela. Hoje, vivemos na era da comida industrial, dos congelados e dos famosos Fast Foods! Engraçado... Eu ainda me lembro que eu ficava em casa, na cozinha, girando a panela da pipoca...Hoje, todos os dias eu acordo, quando o despertador do meu celular toca, e como toca! Parece que é pra me avisar que eu vivo na Contemporaneidade, que eu sou um ser contemporâneo. 
Alguém lembra daquele telefone de discar? Alguém ainda sabe assobiar? Não mais? Tu tens Wi-Fi? Afinal, eu preciso me comunicar, os jovens de hoje não gostam mais de falar, só de teclar - com o dedo! Ai, que medo que eu tenho de envelhecer! Eu quem reclamava dos meus avós, agora é essa tecnologia que me dá um nó no fígado, no coração, na cabeça! Antes que eu enlouqueça com esse tal de Smartphone, ou saia falando tudo em inglês por aí, já inventaram um clone meu! 
Hoje, para falar com alguém que se ama, tem o e-mail, não precisa mais do telegrama. Será que quando eu tiver 40 anos, já vamos nos comunicar por hologramas saindo da televisão? Com todos esses avanços tecnológicos globalizados, eu já me sinto dentro do desenho animado dos "Jetsons". Lembra? Carros voando pelas ruas, os personagens se falando por MSN, ou Skipe? Pois é amigos, estamos já vivenciando a robótica, essa moda digitalizada, ou melhor, virtualizada. Isso é real, não é "De Volta para o Futuro", nem contos de fadas. No século XXI, você dorme e acorda maquiada. Você já acorda conectado e a falta dessa conexão te deixa maluco, não? Nós precisamos de um MP3, de um MP4 para continuar vivendo. Até parece que eu não existo, ou que já morri se eu paro de "curtir" alguma coisa no Facebook. Hein, você aí, tira uma foto minha? Como está o meu look, meu visual? Vamos compartilhar a receita daquele velho brigadeiro de panela? Qual teu nickname? Branca de Neve ou Cinderela? Para de dar trela, a maçã envenenada e  o sapatinho de cristal já estão fora de moda. Conecte-se, me siga no Twitter, faça login no Instagram, e mostre o quanto você é linda e poderosa com o seu novo óculos Ray-Ban. É quase que impossível fugir de toda essa conectividade, mas somente a minha mãe sabe fazer de verdade aquele velho brigadeiro de panela. Ai que saudades dele, que saudades dela...



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