> Elisa entre gotas de poesia: E se eu fosse uma planta?

E se eu fosse uma planta?






         E se eu fosse uma planta? Será que todos os meus problemas se resolveriam? Foi isso que passou de súbito em minha cabeça, quando eu passeava de carro no banco do carona. Não era eu quem estava dirigindo, por isso, meus pensamentos eram mirabolantes e fantasiosos! E quando eu olho para fora, eis que me deparo com um canteiro repleto de flores e plantas que tentavam disfarçar a sujeira do concreto. Por um momento, eu queria ser uma daquelas plantas. Não sentiria mais tristeza, nem angústia, nem dor, nem medo de perder alguém, ou até mesmo o meu próprio emprego! Certamente, se eu fosse uma planta, alguém me acolheria, me daria bom dia e me regaria com a água da torneira.



      Ah, quanta besteira! Mesmo assim, haveria alguém que cuidaria de mim, ou eu afundaria na chuva, ou morreria por uma praga, ou serviria de alimentos a múltiplos insetos. Mas do mesmo jeito, se eu fosse aquela planta, parada ali, naquele canteiro, que nem é notado, onde carros passam todos os dias, e as plantas continuam ali..., o que seria de mim? Um ser sem sofrimentos, sem momentos, sem felicidade? Afinal, a vida tem que ser assim? Toda certinha, num fluxo de vai e vem, cheio de movimentos? Ou será que eu tenho o meu tempo de ver a vida? Uma planta, um vegetal, não animal, pode até não sentir remorso, culpa ou dor, mas também não vive as peripécias de cada dia e do amor! Assim, enquanto a planta está ali parada, sem nenhuma frustração, da qual eu desconheço, já que sou feita de carne e osso, eu de alguma forma vivo as aventuras da minha existência, eloquência, cultura. Talvez, se eu fosse aquele monte de capim, ou grama, eu não teria ao cair da noite, alguém ao meu lado dizendo que me ama. Apenas sentiria algumas formiguinhas caminhando sobre mim...Será que um dia, eu já me senti assim? Já fui uma planta? Bom, isso somente aquela evolução das espécies sabe explicar, Darwin ou algum biólogo, cientista, florista, jardineiro, bicho-carpinteiro, ou um viajante como eu.



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