> Elisa entre gotas de poesia: Teus olhos cor de mel

Teus olhos cor de mel









Minha vida, minha terra, meu céu,
Tudo o que eu posso enxergar,
São esses teus olhos cor de mel!
Nesse deserto fumegante que é o sertão
Tudo que eu preciso é sentir teu coração
E voar sobre esses teus olhos que me encantam e me
Seduzem de aconchego!
Quando eu olho pra ti, já não tenho mais medo,
Já não sinto mais pranto nem dor, tudo que eu preciso
É me afogar nesses teus olhos cor de mel de amor!
Mais que uma escultura, esse teu olhar me invade
Com tanta ternura e bravura,
Bravura de quem sabe amar a sua terra, o seu chão!



Por que me olhas assim?
Menina morena dos olhos
Coloridos de amarelo fogo,
Um fogo que arde feito o sol, que
Nasce todos os dias em nossas vidas!
Ah, como eu queria ter essa perspectiva de ser...
Alegre e divertida e um tanto fugaz sonhadora,
Mas aqui no sertão, não há quem não sinta
Essa sede de água e de amor,
Um amor que está no vermelho do céu
E na suavidade desses teus olhos cor de mel!
Pode faltar tudo, faltar alimento, mas esse teu
Brilho no olhar é o meu sustento!
A gente costuma devagar aqui nesse mormaço,
Um inferno de calor, mas parece que todo
Mundo ama cantar o amor numa
Única rima que acaba em teus olhos
Cor de mel!
Estou cansado, exausto, tiro o chapéu,
Não sinto uma única brisa em meu rosto,
Misturo poesia e faço rima de cordel,
Uma vez eu vi, uma menina sentada
Logo ali em terras de ninguém, ou
De um antigo coronel, e apesar da sina desse meu
Sertão, eu só me lembro desses teus olhos,
Teus olhos cor de mel!
Mel de abelha, mel de botar no pão,
Mel de ouro, mel de um andarilho,
Mel de uma pele queimada da seca,
Mel que nasce dos teus olhos, olhos
Que lembram da areia de onde eu vim!
Canta, canta com esses olhos pra mim!




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